Promotoria acusa ré de premeditar o crime e ter esquartejado o marido quando ele ainda estava vivo; defesa diz que ela agiu sob forte emoção porque era agredida e humilhada.
Testemunhas de acusação dizem que Elize matou o marido com um tiro à queima-roupa
O julgamento de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido Marcos Kitano Matsunaga em maio de 2012 entra nesta quarta-feira (30) em seu terceiro dia no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Seis testemunhas já foram ouvidas: duas babás, um detetive, um delegado, o irmão da vítima e um funcionário da empresa Yoki. Ainda faltam ser ouvidas 13 testemunhas, entre eles peritos que analisaram o local do crime e o corpo esquartejado de Marcos.
Elize é ré confessa do crime. O julgamento vai definir o tempo de pena que ela deverá cumprir. Ela responde por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, crueldade e sem chances de defesa, o que pode agravar a pena.
ILUSTRAÇÕES: Veja desenhos do julgamento de Elize Matsunaga
O G1 reuniu abaixo algumas das questões polêmicas abordadas nos dois primeiros dias de julgamento. Confira:
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Ilustração mostra que Elize Matsunaga chorou muito durante os depoimentos nesta terça-feira (Foto: Roberta Jaworski/Editoria de Arte/G1)
1) Marcos Matsunaga estava vivo quando foi esquartejado?
Acusação: A promotoria sustenta que a vítima morreu depois que teve o pescoço cortado pela mulher. “Se ele não tivesse respirando, esse sangue não desceria para o pulmão, e isso foi a causa da asfixia. Então você junta o tiro com a ingestão do sangue que causou a asfixia. É essa a nossa sustentação de ordem rigorosamente técnica”, diz o promotor José Carlos Cosenzo.
Defesa: Para os advogados de Elize, o corpo de Marcos foi cortado horas depois de ele ter morrido. “As três qualificadoras que o promotor colocou são absolutamente incabíveis. Elas são manifestamente contrárias às provas que estão no processo. Colocar essas qualificadoras para ela é querer vingança pública absolutamente inadmissível nos dias de hoje”, afirma o advogado Luciano Santoro.
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Ilustração mostra o depoimento da segunda babá, Mauriceia dos Santos, durante o julgamento de Elize Matsunaga. (Foto: Roberta Jaworski/Editoria de Arte/G1)
2) Elize premeditou o crime?
Acusação: Para a promotoria, a ré forjou uma viagem para Curitiba para deixar o marido livre para sair com uma amante. Contratou um detetive para obter o flagrante. Comprou uma serra elétrica na véspera do crime. “Há elementos que nos trazem convicções de que o crime foi premeditado", diz Luiz Flávio Borges d'Urso, assistente da promotoria.
Defesa: A defesa alega que Elize agiu sob forte emoção e não premeditou o crime. E que a serra elétrica foi comprada a pedido de Marcos, e nem foi usada para cortar o corpo da vítima. Se o crime era premeditado, para ela usar uma serra elétrica, por que que ela não usaria? Então, nao tem lógica nesse argumento da acusação", diz Luciano Santoro, advogado de Elize.
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Ilustração mostra o juiz, promotor e assistente de acusação do caso Matsunaga (Foto: Roberta Jaworski/Editoria de Arte/G1)
3) Qual foi a distância do tiro dado por Elize no marido?
Acusação: A promotoria sustenta que o tiro foi dado à queima-roupa, entre 15 e 20 centímetros de distância. "O tiro foi disparado de cima pra baixo, da esquerda para direita e de frente pra tras. O que seria impossivel se ele tivesse na posição que ela diz que estava a um metro e meio de distância", diz o promotor José Cosenzo. "Só atira de cima pra baixo, uma pessoa menor em uma maior , se ela tava esperando a pessoa chegar".
Defesa: A defesa alega que a distância foi de mais de um metro e meio. "Quem premeditou, vai usar a propria arma? Não tem lógica nesse argumento", diz Santoro.
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Ilustração mostra o depoimento de um detetive particular contratado por Elize (Foto: ROberta Jaworski/Editoria de Arte/G1)
4) A vítima teve chance de reagir?
Acusação: A promotoria diz que Marcos não teve chances de reagir. Alega que ele entrou no apartamento segurando uma pizza com uma mão e a porta com a outra e Elize já esperava com a arma apontada.
Defesa: A defesa alega que Marcos era muito mais forte que Elize e que ela atirou depois de ter levado um tapa do marido.
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Ilustração mostra Mauro Matsunaga, irmão de Marcos Matsunaga, durante julgamento em São Paulo (Foto: elize matsunaga)
5) O casal tinha bom relacionamento?
Acusação: Segundo depoimento de Mauro Matsunaga, irmão de Marcos, o empresário tratava a esposa "como uma princesa" e a família não sabia que ela tinha sido garota de programa. Mauro disse que Marcos "endeusava" Elize e que era completamente apaixonado por ela. Relatou que eles viajavam muito e tinham padrão de pessoas ricas. A casa tinha padrão financeiro alto e ele gastava mais dinheiro com Elize do que com ele mesmo.
Defesa: O delegado Mauro Dias, que conduziu a investigação, diz que investigação mostrou que relação do casal estava "péssima". Segundo ele, Marcos humilhava constantemente a ré. O delegado contou que Elize lhe disse que era chamada por Marcos de "vagabunda, prostituta, puta de quinta categoria, que só servia para abrir as pernas e ele já tinha o que queria dela, que era uma filha."
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Ilustração mostra o júri de Elize Matsunaga formado por quatro mulheres e três homens (Foto: Roberta Jaworski/Editoria de Arte/G1)
6) Elize teve ajuda de mais alguém?
Acusação: "Eu sou promotor de justiça, eu não invento laudo. Eu trabalho com laudos. O perito me dá o laudo que tem duas ou mais pessoas na cena do crime. Primeiro que quem fez os cortes nos membros superiores e no pescoço não conhece nem um pouco de técnicas de anatomia. Aquele que fez o abdômen e o joelho é profundo conhecedor de anatomia. Quem faz um corte de anatomia, que consegue segurar os órgãos nobres é evidente que nao pode fazer sozinho. Tecnicamente não faz sozinho", disse Consenzo após o primeiro dia de julgamento.
Defesa: "Ela esquartejou sozinha. O promotor está a quatro anos e meio tentando encontrar essa terceira pessoa e até agora não achou vai ficar muito claro com o depoimento do delegado que não a terceira pessoa", disse o advogado Santoro.
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Ilustração mostra o depoimento do delegado Mauro Dias durante o julgamento de Elize Matsunaga. (Foto: Roberta Jaworski/Editoria de Arte/G1)
7) Qual foi o motivo do crime?
Acusação: Para a Promotoria, Elize matou o marido para ficar com o dinheiro de um seguro de vida no valor de R$ 600 mil. Elize descobriu que estava sendo traída e não queria acabar o casamento e não queria ficar pobre. Diz que só confessou o crime depois que se descobriu depois que esteve no local onde os corpos foram achados. Além disso, enviou e-mails depois de ter matado o marido fingindo se passar por ele. E premeditou o crime, segundo a promotoria.
Defesa: Agiu sobre violenta emoção para se defender das agressões dele e não aguentou ser humilhada pelo marido, de acordo com a defesa. “Ela matou o Marcos em um momento de intensa discussão, em uma briga, no desenrolar de um fato que ela não esperava. Ela não desejava matar o seu marido, mas infelizmente, de acordo com aquela discussão tão elevada que houve, a agressão já estava ocorrendo há meses na sua casa”, disse Luciano Santoro, advogado de defesa.
Veja os destaques do 1º dia de júri
- Elize Matsunaga chorou várias vezes durante os depoimentos
- Duas babás que cuidavam da filha dela disseram que Elize comprou uma serra elétrica um dia antes do crime
- Uma das babás pediu para que Elize saísse do plenário durante o seu depoimento
- O detetive particular contratado por ela afirmou que flagrou Marcos com uma amante
Veja os destaques do 2º dia de júri
- Marido pagou R$ 27 mil por 'amante exclusiva' e humilhava Elize, diz delegado
- Elize Matsunaga vê foto da cabeça cortada do marido e pede para deixar sala de júri
- Elize Matsunaga faz aniversário no 2º dia do seu julgamento pela morte do marido
- Irmão de Marcos Matsunaga diz que família não sabia que Elize foi garota de programa
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Elize Matsunaga está no banco dos réus no Fórum da Barra Funda (Foto: TV Globo/Reprodução)
Crime
Elize e Marcos eram casados na época do assassinato, em 19 de maio de 2012. Ela tinha 30 anos e ele, 42. O crime teria ocorrido durante uma discussão do casal.
Elize e Marcos eram casados na época do assassinato, em 19 de maio de 2012. Ela tinha 30 anos e ele, 42. O crime teria ocorrido durante uma discussão do casal.
Ela contou que flagrou a traição de Marcos com uma prostituta após contratar um detetive particular. Elize também havia sido garota de programa quando conheceu o empresário.
O casal tem uma filha, atualmente com 5 anos, que está sob cuidados de familiares do pai.
Após atirar na cabeça do marido, Elize contou que esquartejou o corpo dele, o ensacou e jogou as sete partes em terrenos de Cotia, na Grande São Paulo.
A família de Marcos denunciou o desaparecimento dele no dia 21 daquele mês. Duas semanas depois, Elize foi presa e confessou ter matado o marido.
Em São Paulo, a filha de Elize está sob a guarda provisória dos avós paternos por decisão da Justiça.
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