BnR. Bauru. Instrutores de autoescola param exames após reprovas de perito

Instrutores de autoescola param exames após reprovas de perito

Profissional teria reprovado aluno por conta de cadarço dentro do tênis; ele afirma que só segue o que esCTno CTB

Paralisação travou instrutores, alunos e peritos ontem no CT de Bauru, no Jardim Marambá
Instrutores de autoescolas de Bauru paralisaram por uma hora e meia o exame prático para Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de categoria B (carro), nessa sexta-feira (9) de manhã. A interrupção teria ocorrido após um dos peritos, alvo de criticas recorrentes em razão dos critérios de avaliação, reprovar três alunos consecutivos.

Segundo instrutores ouvidos pelo JC, o ápice do descontentamento se deu depois que o examinador e policial militar reformado José Roberto Francelozo aplicou a terceira desclassificação do dia. Motivo: a candidata precisou entrar com parte do veículo na contramão da via, para desviar de um caminhão estacionado.

A instrutora Eliane Aparecida de Oliveira disse que o exame, realizado todas as sextas-feiras no Centro de Treinamento (CT) de Motoristas e Motociclistas, Jardim Marambá, começou às 8h e foi paralisado por volta das 9h30, após consenso de 90 instrutores. “Faz um ano que estamos solicitando providências do Detran (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) porque o [instrutor] Francelozo reprova injustamente os candidatos. De 40 que ele avalia, passam só dois, em média”, critica Oliveira.

Outro instrutor, Danilo Batista da Silva, diz que o examinador reprovou aluno que estava com o cadarço alojado dentro do tênis (ao invés de estar amarrado). “Vai contra a lei”. Para não prejudicar os candidatos, os instrutores decidiram retomar a prova, às 11h.

MESMO MOTIVO

A paralisação do exame deixou cerca de 280 alunos “de braços cruzados”. “Eu já fui reprovada outra vez pelo Francelozo por desviar de um carro estacionado”, diz Victória Berbel, 18 anos. Já ao volante, minutos antes de realizar a prova, Victor Yuji, 18 anos, reclamava da demora. “Meu exame estava marcado para as 8h e já são mais de 11h”.

‘CONDIÇÕES’

Questionado pela reportagem, Francelozo disse que cobra dos alunos o que o Detran determina, baseado no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “O candidato termina o exame sabendo as falhas que cometeu”.

Sobre a crítica de reprovar quem entrou na contramão, ele ressalta que tudo depende das “condições do momento”. “É preciso observar se a rua é estreita ou se o candidato olhou pelo retrovisor”.

Em relação ao cadarço do calçado, o examinador destaca algumas exigências. “A questão não é o fato de estar amarrado ou não. O calçado tem que estar fixo no pé. Tudo isso está na lei, que tem 341 artigos e 639 resoluções”, enumera.

Reunião

Por meio de nota, o Detran-SP informou que a superintendência do órgão em Bauru agendou reunião para a próxima semana com os instrutores para ouvir as queixas dos profissionais e tomar as providências cabíveis.

Disse ainda que os candidatos que não concordarem com a reprovação, como a aluna que teria conduzido na contramão, podem procurar a unidade do Detran.SP em Bauru e registrar uma manifestação para que sejam apurados os fatos. “Caso seja constatada qualquer irregularidade por parte dos examinadores, os profissionais serão penalizados, seja com advertência ou mesmo o cancelamento da credencial, dependendo do tipo de irregularidade”, ressalta.

Ainda segundo o órgão, os examinadores são credenciados por meio de edital público e recebem pela quantidade de exames que aplicam. Os valores variam: R$ 4,00 para categoria A; R$ 7,20 para B; R$ 30,00 para C (carga) e D (ônibus); e R$ 60,00 para E (carreta).

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