BnR. Como os maiores clubes globais estão roubando o espaço do seu time do coraçã

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O país do futebol dos outros

O Barcelona é o time mais popular do Japão. O Manchester United domina China e Índia. Na Argélia, só dá Arsenal. O Liverpool reina na Tailândia. Os maiores clubes da Europa passaram as últimas décadas salteando o público dos países nos quais os times têm nível técnico risível. A novidade é que, agora, estão entre nós. Basta olhar a seu redor, para qualquer aglomeração de fãs jovens de futebol. As agremiações mais ricas do planeta descobriram a América Latina.
Seu filho será torcedor do Barcelona. Se ainda não for: a “ameaça” pode soar até defasada para um pai cuja criança passe o domingo vestindo uma camisa de Neymar ou Messi.

Até pouco tempo atrás, isso era impensável para o Brasil, uma coisa de Índia e Paquistão”
As pesquisas de opinião começaram a encontrar brasileiros natos que se apresentam como torcedores exclusivos de equipes europeias. “Até pouco tempo atrás, isso era impensável para o Brasil. Era uma coisa de Índia e Paquistão. Se esse movimento se confirmar, será um risco para os times daqui”, pondera José Colagrossi, diretor executivo do Ibope Repucom.

O torcedor que passou a ignorar os times daqui é jovem, tem de 16 a 29 anos, está nas classes A ou B e acessa internet rápida pelo celular. O perfil foi traçado pela empresa de pesquisa. “Esse grupo não existia. Agora, passou a existir estatisticamente”, diz Colagrossi. “Ainda está dentro de uma curva de erro que não me permite dizer se é 0,5% ou 2% do torcedor brasileiro, ainda é cedo. Estatisticamente, o importante é que esse grupo não para de crescer.”
A comercialização de uniformes oficiais comprova a tendência do crescimento internacional em nosso solo. A Netshoes vende quatro camisas do Barcelona para cada uma do Botafogo ou do Fluminense.
A oferta crescente de TV a cabo e internet banda larga é a principal parceira dos gigantes europeus. “O amor pelo Barcelona é o amor pelo sublime”, filosofa o sociólogo Luciano Paccagnella, da Universidade de Turim, acrescentando que “vivemos num mundo em que, da classe média para cima, não há mais fronteiras”. Na visão dele, times e atletas vitoriosos seguirão atraindo fãs sem importar o país.
O Barcelona, maior caso de sucesso da década tanto esportiva quanto comercialmente, tem 10,3 milhões de simpatizantes ou torcedores no Brasil — considerando apenas os brasileiros de 16 a 29 anos. Nesta faixa etária, o time catalão já é a quinta maior torcida do país, à frente de Vasco, Cruzeiro e Atlético-MG. O Real Madrid soma 4,9 milhões de torcedores. O Manchester United completa o top 3, com 2,5 milhões.



Meu sonho é o Camp Nou

“Na minha época, não tinha isso”, insiste repetidamente o policial militar aposentado Joseny Lopes, 50 anos, pai de Lucas Lopes, 16, torcedor fanático do Real Madrid. “Eu queria que ele torcesse para o meu time, mas ele acompanha o Real todos os dias”, lamenta o mais velho, morador de Samambaia, torcedor do Goiás.
Lucas diz que “até tentou” acompanhar a escolha do pai e torcer pelo clube goiano. O problema? “Infelizmente, o Goiás não me dava alegrias, títulos, o que o torcedor gosta. Daí eu escolhi um time vencedor. Não dava pra escolher outro no Brasil, seria tenso por causa do meu pai”. Ele se decidiu pelo Real aos 7 anos.
O arquirrival do time de Madri tem a torcida dos primos Pedro Balduíno, 9, e João Lucas Ventura, 7. O sonho da dupla é assistir a um jogo do time do coração no Camp Nou.
Mãe do primeiro e tia do segundo, Fernanda Balduíno lamenta o custo da paixão dos meninos. “Gasto dinheiro com camisa e eles pedem para assistir a uma partida no estádio. Tenho parentes na França, quem sabe um dia?”, projeta a nutricionista.
A maior surpresa é que os meninos não são lá muito fãs de Messi: os pequenos barcelonistas de Brasília preferem Suárez e Neymar.

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