Estudo mostra que 88% das brasileiras conhecem pouco sobre a falta de umidificação da vagina e 40% das que enfrentam o problema o consideram natural. Impactos na vida amorosa e social também são relatados na sondagem feita com 1.007 mulheres

Belo Horizonte — O desconhecimento da mulher em relação a sua anatomia e como essa falta de intimidade com o próprio corpo interfere na vivência plena da sexualidade e no cuidado com a saúde é um assunto que, impulsionado pelo debate sobre igualdade de gênero, vem sendo objeto de pesquisas e se popularizando com as redes sociais. O tema foi, inclusive, abordado na série norte-americana de sucesso Orange is the new black, exibida no Brasil pela Netflix. No episódio A whole other hole (que foi traduzido no Brasil por O buraco é mais em cima), da segunda temporada, as detentas se surpreendem com a informação de que a menstruação e o xixi não saem pelo mesmo lugar e vão todas ao banheiro para constatar a existência da uretra.
A ficção se sustenta na realidade. Pesquisa feita pelo Ibope mostrou que 88% das brasileiras entrevistadas tinham algum grau de desconhecimento sobre o ressecamento vaginal: 20% não sabiam o que é e 68% conheciam pouco. Entre as que tiveram a complicação (29%), 40% disseram não ter procurado o médico por achar que era normal e, portanto, sem necessidade de tratamento, 86% afirmaram que o ginecologista nunca havia tocado no assunto de forma espontânea nas consultas de rotina e 64% buscaram informações sobre ressecamento vaginal na internet.
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A pesquisa do Ibope mostra como o ressecamento vaginal impacta a qualidade de vida das mulheres: 76% das que tiveram o problema relataram impacto na vida amorosa, 27%, na vida social, 24%, no trabalho, e 22%, na prática de atividade física. Entre as mesmas entrevistadas, os sintomas mais citados da complicação foram: região da vagina ressecada (69%), dor durante o sexo (69%) e ardência na região (44%). Participaram da sondagem 1.007 brasileiras com mais de 16 anos, acesso à internet, das classes A, B e C e de todas as regiões do país.
Todas as idades
Mais da metade das entrevistadas (57%) disse acreditar que qualquer mulher pode ter ressecamento vaginal. Entre as brasileiras com mais de 55 anos, no entanto, 56% consideraram que o problema atinge apenas as mulheres mais velhas. Lucia Alves explica que o ressecamento vaginal é frequente no pós-parto e pode ocorrer também em razão do uso de medicamentos. “Por exemplo, em algumas situações clínicas que cursam com a redução do hormônio feminino chamado estrogênio. Mas é muito mais comum no climatério e, em especial, na peri e pós-menopausa”, explica.
A especialista em sexualidade humana ressalta, porém, que jovens podem enfrentar o problema. “Um exemplo são as puérperas que amamentam e apresentam quatro vezes mais risco de sentir dor nas relações sexuais devido ao ressecamento da vagina. A falência ovariana prematura (menopausa precoce), a quimioterapia, a radioterapia, a redução do desejo sexual e a dificuldade de excitação durante a relação sexual também são condições que levam ao ressecamento vaginal”, diz.



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